terça-feira, 15 de setembro de 2015

As "Canonizações" na Igreja Conciliar





                                       Monsenhor Willamson
Carta de 8 de dezembro de 2002, aos amigos e benfeitores da Fraternidade nos Estados Unidos 

A "canonização" de 6 de outubro passado de Mosenhor Escrivá de Balaguer, fundador do "Opus Dei" como a "beatificação", setembro, do Papa João XXIII, iniciador do Vaticano II, voltam a abrir uma velha e dolorosa chaga: como é possível que a Igreja Católica faça semelhantes coisas? E se não é a Igreja Católica quem as realiza, quem é?

Pois é claro certamente, mais além de qualquer duvida, que a Igreja Católica anterior ao Vaticano II -quando era essencialmente fiel a Tradição Católica- nunca teria beatificado ao Papa que abriu o Concilio que devastou a dita Tradição, nem canonizado o fundador do "Opus  Dei", organização que preparou o caminho para esse Concilio.

Há abundância de citações, orgulhosamente publicadas pelo mesmo "Opus Dei", para provar que Monsenhor Escrivá compartilhava e promovia ideias fundamentais do Vaticano II. Aqui há dois: o mesmo Monsenhor Escrivá disse: "A nossa é a primeira organização que, com a autorização da Santa Sé, adimite a não católicos, cristãos e não cristãos. Eu sempre tenho defendido a liberdade de consciência" (Conversações com Monsenhor Escrivá" Ed. Rialp, pág. 296)

E seu sucessor a cabeça do "Opus Dei" disse acerca do livro de Monsenhor Escrivá, "Caminho" que "preparou a milhões de pessoas a se por a tom com, e a aceitar em profundidade, algumas das mais revolucionarias técnicas que trinta anos mais tarde seriam solenemente promulgadas pela Igreja no Vaticano II" ("Estudos sobre «caminho»", Monsenhor Álvaro del Portillo, Ed. Rialp, pág. 58).

Portanto, para que o Papa João XXIII foi realmente Beato e para que Monsenhor Escrivá fosse verdadeiramente Santo, o Segundo Concilio Vaticano deveria ter sido um Concilio verdadeiro, ou um Concilio fiel a Tradição Católica. O qual é ridículo, como bem o sabem ao menos os leitores regulares desta Carta. Sem embargo, as canonizações católicas não devem ser infalíveis por acaso?

Certamente, antes do Vaticano II, os teólogos católicos estavam de acordo em que as canonizações (não as beatificações) dos Santos eram virtualmente infalíveis, por duas razões. Em primeiro lugar, ele propõe que católicos modelo sejam venerados e imitados como Santos pelos fieis e tão capital na pratica da fé católica que a Santa Madre Igreja não poderia equivocar-se nesta matéria. Assim, em segundo lugar, os Papas anteriores ao Vaticano II tomaram tal cuidado em examinar os candidatos a canonizar, e aos candidatos triunfantes os canonizaram com tanta solenidade, que seu ato de canonização não podia estar já mais perto do pronunciamento do magistério papal infalível e solene.

 Contudo desde o Vaticano II, os modelos escolhidos para imitação, para emulação, estavam expostos, como João XXIII e Mons. Escrivá a ser escolhidos, primeiramente, por seu alinhamento ao Vaticano II, por exemplo, na destruição da Tradição Católica.

Em segundo lugar, o antigo e tão estrito processo de examinação dos candidatos foi relaxado tanto com os Papas do Vaticano II e se tem seguido tal transbordamento de canonizações baixo João Paulo II, que todo o processo de canonização foi perdido, juntamente com sua solenidade, toda semelhança de infalibilidade. Certamente como pode João Paulo II querer fazer algo infalível ou, portanto, o realiza, quando frequentemente se rege por, ou fala de, por exemplo, a "tradição vivente", como se Verdade pudesse mudar?

Deste modo, esse ou aquele Santo "canonizado" por João Paulo II, de fato, pode estar no Céu -ainda Monsenhor Escrivá, só Deus sabe- mas certamente não é sua "canonização" por este Papa que nos assegura de tal sucesso. Daqui que não nos devamos sentir obrigados a venerar a nenhum dos "Santos" posteriores ao Vaticano II.

Todo isso nos deixa com nosso problema inicial: A Igreja Católica tem a divina promessa de indefectibilidade, quer dizer, não pode falhar (Eu estarei convosco até a consumação dos seculos" São Mateus, XXVIII, 20).  Em seguida, como podem as canonizações, que através da infalibilidade deveriam participar dessa indefectibilidade, falhar, ao participar por outro lado no Vaticano II? Não estamos obrigados a admitir que, ou o Vaticano II não foi tão mal depois de tudo ( Como os sacerdotes de Campos o estão admitindo agora) ou que os sedevacantistas tem razão depois de tudo ao afirmar que João Paulo II não e realmente Papa? O sedevacantismo explicaria qualquer fluxo de falibidade nele.

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (Comentário do Blog: Aqui se fala da antiga Fraternidade e não da atual que se esta corrompida clique aqui para ver essa crise) seguindo a Monsenhor Marcel Lefebvre (1905-1991), nem adota a posição conciliar, nem a sedevacantisca. A Fraternidade, ainda que crê que o Segundo Concilio do Vaticano esteve entre os maiores desastres da historia da Igreja Católica, também considera que os Papas que promoveram aquele Concilio e suas ideias (João XXIII,Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II) foram ou são verdadeiros Papas. Como pode ser isso? Como podem verdadeiros Papas desempenhar-se de tal modo para destruir a verdadeira Igreja?

Em primeiro lugar, Deus cria os seres humanos e nos dota de uma vontade livre, porque não quer robôs no Céu. Isso Também se aplica para os eclesiásticos que escolheu para confiar-lhes Sua Igreja Católica. Eles tem, por conseguinte, um assombroso grau de liberdade para edificar ou destruir a Igreja. Por exemplo, quando Nosso Senhor pergunta se encontrará Fé quando voltar a terra (São Lucas, XVIII, 8), sabemos com certeza que por culpa do homens (não somente dos eclesiásticos), a Igreja Católica será muito pequena em Sua Segunda Vinda.

 Sem embargo, Nosso Senhor também prometeu que as portas do Inferno nunca prevaleceriam contra Sua  Igreja (São Mateus, XVI, 18); assim também sabemos com certeza que Deus nunca permitiria que a maldade dos homens chegue ao ponto de destruir Sua Igreja completamente. Nesta convicção que a Igreja nunca vai falhar completamente e donde se apoia sua indefectibilidade, e como a primeira função da Igreja é ensinar a doutrina de salvação de Jesus Cristo, então a indefectibilidade no existir o segue a infalibilidade em ensinar. Para as almas de boa vontade, a Igreja Católica, a Verdade Católica, sempre estarão ali.

Portanto, até o fim dos tempos a Igreja Católica nunca cessará -por pequena que for sua escala- de fazer ouvir entre os homens a doutrina da salvação, o Depósito da Fé. Desde toda a eternidade, esta doutrina precede de Deus Pai a Deus Filho, foi fielmente confiada pelo Deus encarnado a Seus Apóstolos desde então tem sido transmitida, como imutável Tradição, através dos sucessores dos Apóstolos. "Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão." disse Nosso Senhor (São Lucas, XXI, 33). De fato, a imutabilidade é tão essencial para está doutrina, que a conformidade com a Tradição é o critério do magistério ordinário infalível da Igreja. Em outras palavras, se alguém quer saber o que não pode ser falso na doutrina cotidiana dos mestres da Igreja, o modo de proceder é  comparar o que estão ensinando agora com o que a Igreja ensinou no largo de todos os séculos. Se corresponde a Tradição [se coincide com ela] a doutrina é infalível, e se não, não é infalível. Mas ainda, o magistério extraordinário infalível da Igreja é servo deste magistério ordinário [quer dizer, o magistério ordinário pode chegar a ser infalível], sempre que provenha de uma garantia protegida divinamente de que tal ou qual doutrina pertence a doutrina verdadeira da Igreja, é dizer, a Tradição ordinária. 

Portanto, a Tradição, ou a conformidade com o que a Igreja sempre ensinou, é o critério de medida fundamental da doutrina infalível da Igreja, ordinária ou extraordinária. Por conseguinte, todo aquele fora da Tradição é certamente falso, por exemplo, o novo ensinamento do Concilio Vaticano II sobre a liberdade religiosa e o ecumenismo.

Contudo, João XXIII foi beatificado e Monsenhor Escrivá foi "canonizado", por sua afinidade com essas novidades conciliares. Assim tais "canonizações" são sem duvidas, e até certo ponto, contrarias a Tradição Católica e, em tal sentido -e sem que devamos analisar mais- são automaticamente NÃO infalíveis. "Mas ainda que Nós ou um anjo do céu os anunciasse outro evangelho diferente do que os temos anunciado, seja anátema" (Gálatas,I, 8).

Igualmente, se um se pergunta como pode ser que sejam os próprios eclesiásticos de Deus os que fazem tanto dano a Sua Igreja, a resposta é: 1) Deus os da grande liberdade ainda que não para destruir completamente Sua Igreja, e 2) porque a partir de qualquer mal que eles realizem, Deus suscitará maiores bens. Por exemplo, a partir de canonizações duvidosas pode dar aos "Católicos Tradicionais" uma ainda melhor compreensão da primacía da Tradição. 

E a pergunta de como as canonizações, consideradas como infalíveis, podem ao contrario, ser conciliares, a resposta é que Deus permite um Papa crer no Vaticano II, também seguramente pode permitir o obrar e, desde modo, "canonizar" de acordo ao Vaticano II, afrouxando e amolecendo as antigas e estritas regras das verdadeiras canonizações, que virtualmente garantiam a conformidade do candidato com a Tradição. Há católicos que tropeçam e caem porque cegamente seguem a autoridade da Igreja quando esta autoridade se desvia; esse é seu próprio problema. Mas os católicos que aderem a Tradição, seguirão a ordem de São Paulo e com prudência "anatematizaram", reprovaram qualquer claro desvio dela.

Portanto, podemos rejeitar absolutamente o Concilio Vaticano II (comentário do blog: Exatamente isso se está fazendo nas missões da Resistência), juntamente com todos os seus trabalhos e com todas suas pompas, sem necessidade de se converter em sedevacantistas, sempre e quando entendamos que a indefectibilidade da Igreja não significa que grande proporções da Igreja não irá ser destruídas, senão que a Igreja nunca será completamente destruída.

De modo semelhante, a infalibilidade da Igreja não implica que os mestres da Igreja nunca ensinam falsidades -como por exemplo, com duvidosas "canonizações"- senão que entre outras verdades, a verdade e a santidade cristã nunca será totalmente falsificada ou silenciada.

Em conclusão, estas "canonizações" mais ou menos conciliares são, propriamente falíveis e, automaticamente, NÃO infalíveis.

Obviamente, o Padre Pio era um Santo integramente tradicional, e não devemos duvidar do valor de sua canonização. Sem embargo, seria acomselhavel não aproveitar de sua canonização pela Igreja Nova para venera-lo oficialmente ou em publico, em quanto que isto poderia impulsar a conceder a outras "canonizações" da Igreja Nova um crédito que não os é devido.

Queridos leitores: Permita-me deseja-los a todos um muito e Santo Natal.

Com os melhores desejos e bênçãos, Em Cristo.
  
† RICHARD WILLIAMSON
 

 

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